Caso Escola Base - 25 anos de um dos maiores erros da imprensa

Atualizado: 4 de Abr de 2019


Em tempos de fake news, convém relembrar esse caso: imagine se, de uma hora para outra, sua vida fosse completamente destruída por um turbilhão de notícias sem fundamento. Foi exatamente o que aconteceu com seis pessoas em 27 de março de 1994, no que ficou conhecido como “caso Escola Base”. O cenário era um colégio de classe média alta, localizado em bairro nobre da cidade de São Paulo. Naquele ano, os donos da escola, o responsável pelo transporte escolar e os pais de um dos alunos foram acusados de abusar sexualmente de crianças de 4 anos de idade, alunas da escola. A desconfiança partira de alguns pais, que denunciaram o caso a polícia. E a imprensa.

O delegado responsável (que depois candidatou-se a Deputado Federal) afirmou a jornalistas, antes da conclusão das investigações, que era grande a possibilidade de a história ser verdadeira. Ele fazia referência a vídeos, fotos e depoimentos, que nunca foram apresentados. Testemunhos de 2 crianças de 4 anos e um laudo inconclusivo do IML serviram de base para a suspeita.

A imprensa, sobretudo a rede Globo deu amplo destaque à notícia, com base apenas nas declarações do delegado. As reportagens já traziam uma espécie de condenação aos envolvidos, antes mesmo de a denúncia ser esclarecida pela polícia e sem que tivessem qualquer prova sobre o que afirmavam. Os donos foram presos preventivamente, desenvolveram doenças psiquiátricas, e foram a falência. A escola foi depredada e fechada.

Mas... com o andamento das investigações, todos os envolvidos foram inocentados. Nenhuma prova de que teriam cometido os abusos foi encontrada e o processo foi arquivado. Era tarde demais. As vidas dessas seis pessoas já estavam completamente destruídas, em grande parte por causa das notícias veiculadas pela mídia.

Em 1995, inicia o processo judicial para reparação dos danos. Veículos de mídia somaram condenações superiores a R$ 2 milhões, para 3 dos 6 acusados. O processo transitou em julgado em 2014.

A Justiça atrasou. Dois dos sócios morreram sem receber indenizações devidas pelo Estado, estimadas em meio milhão para cada um dos acusados pelo delegado.

E se acontecesse hoje, será que seria muito diferente? Como seria nossa participação? Na era da informação, que sejamos responsáveis o suficiente para não gerar a desinformação. Algumas vezes o prejuízo é irreparável. Já disse Churchill "Uma mentira dá meia volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de vestir as calças."

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