Para viver bem é preciso pensar na morte - A morte e o atentado na Catedral de Campinas

Atualizado: 7 de Fev de 2019

Campinas dificilmente esquecerá o dia 11 de dezembro. A razoável tranquilidade de final de ano - época, aliás, marcada por gestos de solidariedade e união familiar - deram lugar a um clima de terror advindo de uma tragédia que ceifou a vida de quatro pessoas, lesionando outras em igual número. O local do atentado não poderia ser menos improvável: uma bela catedral localizada na avenida mais importante da cidade. Reportagens nacionais e internacionais despertaram a forte consternação de milhares de pessoas. Nestes momentos, não há palavras que possam minimizar a dor. A cidade de Campinas chora e ora pelas famílias enlutadas e pela recuperação dos sobreviventes.

Em meio a dor da tragédia, é possível fazer uma reflexão: O ser humano é o único animal que tem consciência de que a vida é finita, e porque não dizer, breve. Tememos a morte. Como um alento, alguns se apegam as crenças em uma vida melhor após este evento inevitável, outros se recorrem à medicina e suas recentes descobertas na esperança de ao menos afastá-la por cada vez mais tempo. Fato é que a certeza da morte e a incerteza sobre seus desdobramentos nos aterroriza, e nos faz evitá-la mesmo em pensamentos.

Parece existir um pacto silencioso para ignorá-la, embora a morte caminhe entre nós sem preconceitos, levando a ricos e pobres, pessoas boas e ruins. Controladores que somos, ignoramos este fato inevitável e seguimos fazendo nossos planos, forçando-nos a esquecermos dela, e acreditando, talvez, que ela pode ter por nós a mesma gentileza ou desinteresse. Imaginamos que tudo dará certo, e nem cogitamos que hoje poderia ser o nosso último dia nesta vida. Fazemos planos para 2020, 2022, talvez até para 2050 ou depois, mas não temos garantia de mais um dia sequer.


Mas sendo a morte fato inevitável, a consciência sobre ela deveria nos fazer viver uma vida mais plena, mais produtiva e mais feliz. Pensar na morte deveria nos fazer viver melhor. Conscientes de que nosso tempo é limitado, temos de nos enveredar pelo que realmente importa. O momento é agora. Para que prolongar as infelicidades, ou mesmo evitar o reconhecimento de nossas insatisfações? Pensemos na morte para empregarmos melhor nossa vida. Vamos aprender as lições mais importantes em cada fato que vivemos - bom ou ruim -, e achar neles a motivação para uma vida plena e feliz, sem deixar para depois. Precisamos valorizar aqueles que amamos a cada dia "como se fosse o último, dançando e gargalhando como se ouvíssemos música". Que estes fatos tristes nos lembrem de empregarmos a vida com o que realmente importa. O dia de ser feliz é hoje.

Marcos Candian é advogado inscrito na OAB-SP. Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e Pós-graduando em Direito Municipal pela Escola Paulista de Direito - EPD, atua nas áreas de Direito Contratual, Contratações Públicas, Regulatório, Responsabilidade Civil e Direito Penal Tributário, notadamente em relação a crimes fiscais e financeiros.

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